22 novembro 2013

O Golpe do Lagarto - Poema de Marcelo H. Zacarelli


O Golpe do Lagarto

Te preparas para a noite
Sobre o olhar da incrédula lua;
Os artificiais holofotes seguem as tuas pegadas
A gula dos répteis da tua espécie
A viúva negra vestida de noite
A sede dos amantes desavisados;
Os teus calcanhares esquivam-se das teias maliciosas
Esta noite és a presa...
As canções comovem um coração
Solidões em tragos de vinho.

Estou à caça da solitária libélula
Encontrarmo-nos em meio às investidas do acaso
Inflamaram-se as glândulas multicores;
No deserto da vaidade animal
A fêmea armou-me uma emboscada;
Outros desperdiçaram suas flâmulas pecaminosas
A mariposa está farta de exacerbadas ideologias
Batem as asas e anfíbios despedem-se do acasalamento;
Mas eu te protejo com escamas abruptas indefesas
Nesta metamorfose dos meus pensamentos;
Te preparas para uma noite de olhares desconfiados.

Predadores desequilibrados
A noite tece as mais belas vestes
E devora embriagadas meretrizes;
Te preparo para um gole de bebida doce
A soprar em teus ouvidos o zumbido do amor
Insanas melodias repetitivas;
Enojas o teu quarto por hora
Do veneno despojado da tua presa;
Pela manha libertas-te do delírio da tua concupiscência
Ao bater as asas cintilantes 
Estás pronta para o golpe do lagarto.


Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 18

As canções comovem um coração
Solidões em tragos de vinho...