27 maio 2017

O Artista - Filme


O Artista (no original intitulado The Artist) é um filme mudo com produção francesa de 2011, uma comédia romântica que se passa em Hollywood entre os anos 1927 e 1932. O filme foi dirigido por Michel Hazanavicius, com um elenco composto por Jean Dujardin, Bérénice Bejo, James Cromwell, Missi Pyle, Penelope Ann Miller e John Goodman.

O diretor Michel Hazanavicius sempre fantasiou em fazer um filme mudo durante muitos anos porque muitos dos cineastas que ele admira vieram dessa era, e por causa da natureza predominante da imagem no formato. De acordo com o diretor, seu desejo de fazer um filme mudo não foi recebido de forma séria inicialmente, porém depois do sucesso de OSS 117: Le Caire nid d'espions e OSS 117 : Rio ne répond plus, produtores começaram a expressar interesse. A versão francesa do filme foi regularmente lançada em 12 de outubro de 2011 através da Warner Bros França. A Weinstein Company comprou os direitos de distribuição para os Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. O filme foi lançado no Brasil em 10 de fevereiro de 2012.

Jean Dujardin & Bérénice Bejo...

Sinopse:

A história se passa em Hollywood entre os anos 1927 e 1932, se focando em um ator em declínio e uma atriz em ascensão enquanto o cinema mudo sai de moda, sendo substituído pelo cinema falado.

A Lindíssima Atriz Argentina: Bérénice Bejo

Prêmios e Indicações:

"O Artista" foi aclamado pela crítica mundial, e venceu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, onde o filme estreou. 

Recebeu seis indicações ao Globo de Ouro, e venceu em três categorias, Melhor Filme - Comédia ou Musical, Melhor Trilha Sonora e Melhor Ator - Comédia ou Musical (Jean Dujardin). 

Em janeiro de 2012, o filme foi nomeado para 12 BAFTA e 10 Oscar tendo ganho 5, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator para Jean Dujardin. 

Foi o primeiro filme mudo a ganhar o Oscar de Melhor Filme desde Asas em 1929 (na primeira edição do prêmio) e o primeiro filme apresentado na proporção de 4:3 para ganhar o Oscar de Melhor Filme desde de "Marty", em 1955.

Era Uma Vez na América - Filme


Era uma vez na América (no original em inglês: Once Upon a Time in America) é um filme estadunidense e italiano de 1984, do gênero drama e crime, realizado por Sergio Leone e com roteiro baseado no livro de Harry Grey. A música original é de Ennio Morricone. O filme é estrelado por Robert de Niro, James Woods, Elizabeth McGovern, Joe Pesci e Burt YoungÉ o último filme da trilogia Era uma vez… desse diretor: o primeiro foi C'era una volta il West, e o segundo Giù la testa.

Jennifer Connelly....Deborah jovem...

Sinopse:

O filme conta a história de um grupo de amigos de ascendência judaica que crescem juntos cometendo pequenos crimes nas ruas do Lower East Side, em Nova Iorque. Aos poucos, estes crimes vão assumindo maiores proporções e os amigos se tornam respeitáveis mafiosos. O entrelaçamento de companheirismo, ambição e traição leva a uma reviravolta na história, e, 35 anos depois, o único sobrevivente do grupo volta ao bairro para descobrir o que realmente aconteceu.


Principais prêmios e indicações:

Globo de Ouro 1985 (EUA)
Recebeu indicação nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora.

BAFTA 1985 (Reino Unido)
Venceu nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Figurino.
Recebeu indicações nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Tuesday Weld), Melhor Diretor e Melhor Fotografia.

David di Donatello 1985 (Itália)
Recebeu indicação nas categorias de Melhor Diretor.

Academia Japonesa de Cinema 1985 (Japão)
Venceu na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira.


Sergio Leone (Roma, 3 de janeiro de 1929 — 30 de abril de 1989) foi um cineasta italiano. Ele foi o autor de famosos filmes que renovam o gênero western, tais como era uma vez no oeste e três homens em conflito

Nos anos 60, quando o cinema italiano era essencialmente voltado para as comédias, Sergio Leone foi um dissidente, primeiro especializando-se em filmes épicos e depois na recriação do Oeste e nos filmes de western. Ele passou treze anos preparando o clássico "Era uma vez na América", um épico gangsterista lançado em 1984 no Festival de Cannes.

Foi um dos mais brilhantes cineastas da sua geração e inventor de um estilo em que não faltam lances de pura genialidade. Ele é hoje fonte de inspiração para novos cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.
Sua sepultura está localizada no cemitério Campo di Verano, Roma.


Minha nota para este Filme (10)

O Tempo e a Fotografia - Poemas de Marcelo H. Zacarelli



O Tempo e a Fotografia

Tempo... O que pode se dizer do tempo!
Quando a imagem é que fica...
Não se pode dizer que é primavera
Se “verão ou outono” pelo cair das folhas
Apenas lembrar-se de que outrora tivesse vivido
Pouco se pode dizer se olhando nos olhos
Houvesse tristeza ou alegria
A diferença talvez no rosto imortalizado pelo momento
Não se podem encontrar marcas e nem rastejo
Não se podem notar vestígios

A imagem intacta faz trazer na memória
Que não se pode mudar o que foi feito
Onde se retrata pessoas, lugares e vilarejos...
E não há espaços para se distinguir
Povos, raças ou diferenças sociais

Um críquete, isto mesmo!
Um aperto no botão...
Parece simples quando não se imagina
Que aquele momento refletirá para sempre
A imagem imortalizada que nem o passar do tempo
Pode apagar da memória

Este é o retrato da vida
Ou melhor, dizendo; Uma foto revelada
Um momento imortalizado de alguém
Mas... E o tempo?
Que se pode dizer quando os anos passam
Não há o que dizer, só lembrar...
Não há como se voltar atrás
Quando a imagem é que fica.

Marcelo Henrique Zacarelli
Itaquaquecetuba, 18 de março de 2000.

Um críquete, isto mesmo!
Um aperto no botão...

A Matéria que Renegas - Poema de Marcelo H. Zacarelli


A Matéria que Renegas

O que mais pode me doer que a solidão?
Meus ouvidos estão cerrados
Exceto ao som estridente desta matéria impulsiva

Madeiras e cordas
Ombros e mãos de um angustiado...
Que ao decorar as notas
Absorveu a alma de tal miserável

Ao longe, bem ao longe
Posso senti-la me horripilando, veiculadas ao ar
Como faca nos meus tímpanos

Meus olhos vendados perseguem as sombras
Que se movimentam e passa por mim
As meninas entorpecidas passam por despercebidas
Meus lábios sim, provaram a sede de esquecer alguém

Como o ribeirão profundo
Ou o mais seco dos desertos
Porém, o que restou? Eu nunca soube ao certo
Onde pairavam os meus pensamentos?

Adrenalina das minhas veias
Levaram-me a caminhos que eu não queria ir; Eis me aqui...
Estilhaços dos meus ossos
Não mais me vês; Não estou aqui!
Exceto a matéria que renegas

Não estendas as tuas mãos em vão
Nem te apiedas deste fraco
No coração deste instrumento
Está a esperança que me atormenta
No cansaço deste humano músico
A dor deste miserável ecoa
A solidão e a saudade são irmãs inseparáveis
E moram aqui comigo desde que partiu.  


Marcelo Henrique Zacarelli 
Village 20 de outubro de 2008.

Não mais me vês; Não estou aqui!
Exceto a matéria que renegas...


Água Barrenta - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Água Barrenta

Lavadeira menina, na beira do rio...
Trouxa e sabão parecem tua sina
Logo pela manhã te aqueces do frio
Das rotinas esfregadas, lavadeira menina

De sorte que o sertão de Pernambuco
Mais judia o sol que fascina
Volta os trapos quase enxuto
No balaio na cabeça da menina

São dez irmãos e muita peça feminina
Na trilha que desconfia teus pés
A caminho do rio, lavadeira menina

E voltas do trabalho árduo, como aguenta!
São muitas as tuas lavadas
Por causa desta água barrenta.

(Soneto)


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, 23 de dezembro de 2008.

São dez irmãos e muita peça feminina
Na trilha que desconfia teus pés...



06 abril 2017

Cem anos de Solidão - Meus Livros

Cem Anos de Solidão
Gabriel García Márquez


Cem Anos de Solidão (em espanhol, Cien Años de Soledad) é uma obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel da Literatura em 1982, e é atualmente considerada uma das obras mais importantes da literatura latino-americana. Esta obra tem a peculiaridade de ser umas das mais lidas e traduzidas de todo o mundo. 
Durante o IV Congresso Internacional da Língua Espanhola, realizado em Cartagena, na Colômbia, em março de 2007, "Cem Anos de Solidão" foi considerada a segunda obra mais importante de toda a literatura hispânica, ficando apenas atrás de "Dom Quixote de la Mancha". Utilizando o estilo conhecido como realismo mágico, Cem Anos de Solidão cativou milhões de leitores e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante de Gabriel García Márquez.

A primeira edição da obra foi publicada em Buenos Aires, Argentina, em Maio de 1967, pela editora Editorial Sudamericana, com uma tiragem inicial de 10.000 exemplares. Nos dias de hoje já foram vendidos cerca de 50 milhões de exemplares ao longo dos 35 idiomas em que foram traduzidos.

Enredo:

Considerado um dos melhores livros de literatura latina já escritos, sua história passa-se numa aldeia fictícia e remota na América Latina chamada Macondo. Esta pequena povoação foi fundada pela família Buendía – Iguarán.

A primeira geração desta família peculiar é formada por José Arcadio Buendía e Úrsula Iguarán. Este casal teve três filhos: José Arcadio, que era um rapaz forte, viril e trabalhador; Aureliano, que contrasta interiormente com o irmão mais velho no sentido em que era filosófico, calmo e terrivelmente introvertido; e por fim, Amaranta, a típica dona de casa de uma família de classe média do século XIX. A estes, juntar-se-á Rebeca, que foi enviada da antiga aldeia de José Arcadio e Úrsula, sem pai nem mãe.

A história desenrola-se à volta desta geração e dos seus filhos, netos, bisnetos e trinetos, com a particularidade de que todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula (que viveu entre 115 e 122 anos). Esta centenária personagem dará conta que as características físicas e psicológicas dos seus herdeiros estão associadas a um nome: todos os José Arcadio são impulsivos, extrovertidos e trabalhadores enquanto que os Aurelianos são pacatos, estudiosos e muito fechados no seu próprio mundo interior. 

Os Aurelianos terão ao longo do livro a missão de desvendar os misteriosos pergaminhos de Melquíades, o Cigano, que foi amigo de José Arcadio Buendía. Estes pergaminhos tem encerrados em si a história dramática da família e apenas serão decifradas quando o último da estirpe estiver às portas da morte.

O Escritor e Jornalista Colombiano,
Gabriel García Márquez

Gabriel José García Márquez, (Aracataca, 6 de março de 1927 — Cidade do México, 17 de abril de 2014), foi um, escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, foi um dos escritores mais admirados e traduzidos no mundo, com mais de 40 milhões de livros vendidos em 36 idiomas.

Foi laureado com o Prêmio Internacional Neustadt de Literatura em 1972, e o Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra que, entre outros livros, inclui o aclamado "Cem Anos de Solidão". Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana. Viajou muito pela Europa e viveu até a morte no México. Era pai do cineasta Rodrigo García.

O Nome da Rosa - Meus Livros


O Nome da Rosa
Umberto Eco

O Nome da Rosa (em italiano: Il nome della rosa) é um romance do escritor italiano Umberto Eco, lançado em 1980 que o tornou conhecido mundialmente.

Em nome de William de Baskerville

Muita atenção tem sido dada para o mistério sobre a que o título do romance se refere. Na verdade, Eco afirmou que sua intenção era encontrar um "título que dá liberdade de interpretação ao leitor". Em uma outra versão da história, quando ele tinha acabado de escrever o romance, Eco apressadamente sugeriu dez nomes e pediu a alguns de seus amigos para escolher um, eles então escolheram O nome da Rosa. Sugeriu-se que Eco tenha se inspirado nas referências de Borges, que disse: '"...quem viu o Zahir pronto verá uma rosa: o Zahir é a sombra da rosa e o rasgo do Velo". "O nome da rosa" era uma expressão usada na Idade Média para denotar o infinito poder das palavras.

Sinopse:

Eco retratou um episódio, passado durante a Idade Média, no qual o riso era considerado, pela Igreja, um pecado. O enredo d'O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. Com ares de Sherlock Holmes, o investigador, o frade franciscano Guilherme de Baskerville, assessorado pelo noviço Adso de Melk, vai a fundo em suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local, até que então desvenda que as causas do crime estavam ligadas a manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, obras que não seriam aceitas em consenso pela igreja cristã da Idade Média, como é a obra risonha criada por Eco e atribuída romantescamente a Aristóteles. A aventura de Guilherme de Baskerville é desta forma uma aventura quase quixotesca.

O Filósofo e Escritor Italiano, Umberto Eco

Umberto Eco (Alexandria, 5 de janeiro de 1932 — Milão, 19 de fevereiro de 2016), foi um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. Foi titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha. Ensinou temporariamente em Yale, na Universidade Columbia, em Harvard, Collège de France e Universidade de Toronto. Colaborador em diversos periódicos acadêmicos, dentre eles colunista da revista semanal italiana L'Espresso, na qual escreveu sobre uma infinidade de temas. Eco foi, ainda, notório escritor de romances, entre os quais "O nome da rosa" e "O pêndulo de Foucault". 

02 janeiro 2017

Espinho na Carne - Poema de Christine Aldo


Espinho na Carne

Os olhos marejados
Ainda cansados
Soltaram gotículas de orvalho;
As folhas subtraídas
Silhuetas em frangalhos
A beira do caminho sem vida

Tudo isto é pela saudade
Que ficou as custas de alguém
Alguém que chora copiosamente;
Ainda ferida, porém não desiste
E sai escapelada pelo vento
Varrida pelo outono, amontoada persiste

Todas as formas de amar
Esgotou em teus seios
Todas as rosas debruçaram a lacrimar;
Há tanta vida lá fora
Espinhos, na carne esfacelada
Há tanta vida só não há mais tempo.


Christine Aldo
São Paulo, 26 de Novembro de 2013.

E sai escapelada pelo vento
Varrida pelo outono, amontoada persiste...


Apenas Amigos - Poema de Christine Aldo


Apenas Amigos

Um inferno passa em minha mente
Quanto tempo faz que não te vejo
Porque esta lembrança agora aos quarenta e quatro
Sendo que a vejo de uma outra maneira

Um homem observa uma mulher
Pensativa em uns tragos de cigarro
Tentando desvendar os seus mistérios
Duvidando que ela possa desvendar os teus

Eu não faço ideia de onde podemos chegar
Eu juro que posso ver nos teus olhos
Todos os sonhos que um dia sonhei
Espero que entenda, que podemos ser apenas amigos

Você bem que tentou
Eu nunca lhe dei uma chance
Você me tocou
No íntimo do coração
Você mergulhou
No segredo dos meus olhos
Então descobriu
Que um dia fomos jovens
E que hoje crescemos
Que podemos ser amigos
Apenas amigos.

Christine Aldo
São Paulo, 03 de dezembro de 2013

Um homem observa uma mulher
Pensativa em uns tragos de cigarro...


Mais que Qualquer Homem - Poema de Christine Aldo


Mais que Qualquer Homem

Preciso esvaziar o meu coração
Desse amor contraditório
O meu corpo empilhado na cama
Não te serve mais de inspiração
Você passa para se trocar
E nem se quer olha para o meu rosto

Eu perdi todas as forças que tenho
Não vou perder o meu tempo
Chamando pelo teu nome...

Uma mulher teimosa
Que passa espalhando o seu perfume
Deixa um rastro de desespero no quarto
Ela sabe que me enlouquece
Ela sabe que a desejo
Mais que qualquer homem

A verdade é que tenho medo
De perdê-la para outra mulher
(Então perco o controle)
Me descabelo, quebro o espelho
Para não ver a minha metade homem
Em completo desespero

Se realmente existe outro amor em sua vida
Você deveria jogar limpo comigo
Mesmo que eu seja dependente deste seu amor
Você atropela os meus sentimentos
Por que sabe que não sou capaz de te esquecer.

Christine Aldo
Village, 24 de Julho de 2015

Me descabelo, quebro o espelho
Para não ver a minha metade homem...


Agora Eu quero Chorar! - Poema de Christine Aldo


Agora Eu quero Chorar!

Você não pode imaginar minha querida
Quantas lágrimas se misturam com a chuva
Acredite apenas, isso é o bastante...
Quantos anos se passaram, eu espero pelo seu perdão
Você deve estar perdida em algum lugar onde mora a solidão

Eu procuro por você em cada gotícula de chuva, 
em cada poço seco de verão
Eu não sou perfeita, sou eu mesma...
Não estou disposta a parar, nada pode me fazer voltar atrás
Esse amor não pode mais me ferir, por que estou cega e louca por você
Deixe que a chuva caia, e molhe totalmente o meu rosto
Se você não vai voltar para mim, não pense que eu vou te esquecer...

Agora eu quero chorar!
Eu prefiro chorar pelos dias sem você...
Quem sabe se a chuva parar
As lágrimas secarão, com ou sem você.

Christine Aldo
Village, 11 de janeiro de 2016

Deixe que a chuva caia,
e molhe totalmente o meu rosto


15 novembro 2016

The Doors - Viajantes na Tempestade



Viajantes na tempestade

Viajantes na tempestade
Viajantes na tempestade

Nesta casa fomos criados
Neste mundo fomos jogados
Como um cão sem um osso
Um ator atuando sozinho

Viajantes na tempestade

Há um assassino na estrada
Seu cérebro está se retorcendo como um sapo
Tire uma folga num feriado
Deixe suas crianças brincarem
Se você der carona a esse homem
Sua doce família irá morrer
Assassino na estrada

Garota você deve amar seu homem
Garota você deve amar seu homem
Pegue-o pela mão, faça-o entender
O mundo de você depende
Nossa vida nunca irá acabar
Deve amar seu homem

Viajantes na tempestade
Viajantes na tempestade

Nesta casa fomos criados
Neste mundo fomos jogados
Como um cão sem um osso
Um ator atuando sozinho

Viajantes na tempestade (...5x)

Tema Original: Riders on the Storm
Músico: The Doors
Composição: Jim Morrison/ Robby Krieger/ 
Ray Manzarek/John Densmore

28 outubro 2016

Lua em chamas - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Lua em Chamas


Não olhe para o céu agora
O infinito paira como lamas negras...
Tal qual o noivo espera sua amada
Damas de honra, pequeninas estrelas

Eis que surge no céu a tão sonhada noiva
Não olhe para não estragar a surpresa
Vestida de sangue, nua, Sangra, louca...
Embriagada de vinho posta sobre a mesa

Não tente tocá-la com teus olhos em açoite
Porque febril a carne, esmiúça e sangra...
Deitas com ela em tua primeira noite
Porque te faz queimar o coração em chamas.

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, 11 de Agosto de 2014.


Tal qual o noivo espera sua amada
Damas de honra, pequeninas estrelas...

O Corvo - Edgar Allan Poe


O CORVO *
(de Edgar Allan Poe)

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."

Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu queria a madrugada, toda a noite aos livros dada
Pra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!

Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".

E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.

A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.

Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."

Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.

E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".

Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".

Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".

A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesperança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".

Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que queria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".

Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!

Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ânsia e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".

E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!

(Traduzido por: Fernando Pessoa)

O Poeta Allan Poe...

Edgar Allan Poe, nascido Edgar Poe; (Boston, Massachusetts, Estados Unidos, 19 de Janeiro de 1809 — Baltimore, Maryland, Estados Unidos, 7 de Outubro de 1849) foi um autor, poeta, editor e crítico literário estadunidense, integrante do movimento romântico estadunidense. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos e é geralmente considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.