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15 maio 2016

A Culpa do Silêncio - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


A Culpa do Silêncio

Balbucio ao vento nômades pensamentos
Que pairam na gorja em completo esquecimento
Sucumbem às verbetes, se perdem aos ventos...
Meu amor anuncia certo arrependimento;

Palavras são vãs quando o que sente é saudade
Calo-me a dor que, portanto queres vaidade...
Por certo o sofrimento não requer ao tempo a idade
Sou moço novo a beira da veracidade;

Um silente bocejar por si só não me salva
Entrelaçadas pelos ares em falsa ressalva
Uma a uma como plumas ao meu colo repousam;

Murmúrios inquietos surgem como arauto
Suaves ordinários me tomam por assalto
Inumados em teus seios em perdidos acalentos.

“Soneto”


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 20

Palavras são vãs quando o que sente é saudade
Calo-me a dor que, portanto queres vaidade...


Desgraça pouca é Bobagem - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


Desgraça pouca é Bobagem

Ora! A morte tinha de lhe chamar àquela hora
Na rua tanto pobre fodido e cabra sem jeito...
De terno e gravata almoçava do lado de fora
Ela veio furtar o que lhe havia de direito.

A verdade é que ninguém quer morrer, rico ou pobre;
Epitáfio de mármore e bronze reluzente
Seu Padre capricha na missa que a família pode
O rico salafrário, um fervoroso crente;

Bernabeu, um ex-funcionário, caçoava do Judeu na vala
Guardava mágoa do patrão, que no aviso prévio lhe fodeu;
Mas a merda é que a morte tarda, mas não falha
Pegou cagando o miserável Bernabeu;

E como desgraça pouca é bobagem todo mundo fala
Foi para o inferno o sujeito Bernabeu
Com honras de estado, São Pedro recebeu o magnata
Parece que até na morte, a sorte, o dinheiro corrompeu.
  

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 22

A verdade é que ninguém quer morrer, rico ou pobre;
Epitáfio de mármore e bronze reluzente...



21 fevereiro 2014

Ilusões Contraditórias - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Ilusões Contraditórias

Não tente me seguir nesta estrada
Estou fadado as suas curvas libidinosas
Inclinado aos seus vultos noturnos
Seguido de perto pelo sol incandescente

Os anjos estão as portas nos observando
Com seus olhos arregalados feito brasas acesas
Eu sou um assassino que está as portas
Um anjo caído sedento de incertezas

Olhe você mesma! veja e não fale
Não se manifeste por enquanto
Toda forma de dor que encontrares
Todas elas, ilusões contraditórias

Você sempre me assustou
Com seu jeito sereno, louco e obsessivo
Transformou meu inferno em paraíso
Sádico, obscuro, repouso para minha alma

Ele te armou uma emboscada
Preparou-te um lago de impurezas
Cobriu-te com o manto da noite
Cegou a luz que atravessa tuas pupilas

Então venha comigo nesta estrada
Estamos preparados, eu e você
Estamos prontos para o amor
Provaremos os lábios do sol
Somos livres para escolher
Eu e você, Até o fim
Sem pestanejar.

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, 22 de Fevereiro de 2014


James Douglas Morrison

22 novembro 2013

O Golpe do Lagarto - Poema de Marcelo H. Zacarelli


O Golpe do Lagarto

Te preparas para a noite
Sobre o olhar da incrédula lua;
Os artificiais holofotes seguem as tuas pegadas
A gula dos répteis da tua espécie
A viúva negra vestida de noite
A sede dos amantes desavisados;
Os teus calcanhares esquivam-se das teias maliciosas
Esta noite és a presa...
As canções comovem um coração
Solidões em tragos de vinho.

Estou à caça da solitária libélula
Encontrarmo-nos em meio às investidas do acaso
Inflamaram-se as glândulas multicores;
No deserto da vaidade animal
A fêmea armou-me uma emboscada;
Outros desperdiçaram suas flâmulas pecaminosas
A mariposa está farta de exacerbadas ideologias
Batem as asas e anfíbios despedem-se do acasalamento;
Mas eu te protejo com escamas abruptas indefesas
Nesta metamorfose dos meus pensamentos;
Te preparas para uma noite de olhares desconfiados.

Predadores desequilibrados
A noite tece as mais belas vestes
E devora embriagadas meretrizes;
Te preparo para um gole de bebida doce
A soprar em teus ouvidos o zumbido do amor
Insanas melodias repetitivas;
Enojas o teu quarto por hora
Do veneno despojado da tua presa;
Pela manha libertas-te do delírio da tua concupiscência
Ao bater as asas cintilantes 
Estás pronta para o golpe do lagarto.


Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Janeiro de 2011 no dia 18

As canções comovem um coração
Solidões em tragos de vinho...


14 setembro 2013

A Emboscada dos Xamãs - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


A Emboscada dos Xamãs

Sou um andarilho no olho do sol, 
seguindo as marchas das almas.
Vim comer as nádegas das águas, 
no deserto incerto deixei minhas pegadas.
Sigo pelo caminho inverso,
para a emboscada dos Xamãs;
As aves disputam a carne cansada,
dos meus flagelados calcanhares.

Gastas alparcas, pergaminhos retalhados e um odre vazio;
Seguirei até o asilo das tribos dos meus descendentes, 
até que uivem os lobos e minha alma geme.
Todas as formas de amor transformara-se em ódio,
a forasteira morte tem o tiro certeiro;
Deita-se comigo moribunda fêmea... 
Antes que o vinho apodreça em minha mente.

A noite vomita nos olhos da serpente,
todo veneno que por ti tem extraído;
Na dança dos Xamãs descobri um segredo,
toda criança tem um sonho,
todo homem tem um medo.
Não descansarei até que as chagas
da minha carne encontre a cura;
A morte é só um meio.

Marcelo Henrique Zacarelli
São Carlos, Agosto de 2013 no dia 31

Jim Morrison

24 agosto 2013

Deploração - Poemas de Marcelo H. Zacarelli

Foto: de Sebastião Salgado

Deploração

Tenho o corpo cansado,
a alma aflita...
Um par de calçados gasto,
nos pés árduas feridas.

Sou nômade da saudade,
peregrino solitário, um narciso boêmio,
que se alimenta do imaginário.
Tenho fases que vão da lucidez à esquizofrenia,
vontade de morrer ou lutar pela vida.

Quem sou eu que clamo pela tempestade,
e come o sol no deserto ao meio-dia;
Um andarilho forte e destemido,
um homem fraco a beira do suicídio.

Um dia em uma dessas viagens,
minha alma certamente não mais voltará;
A dor certamente será apenas um consolo,
e este pobre homem virá a descansar.


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Março de 2012 no dia 18

Foto: de Sebastião Salgado


20 agosto 2013

Epitáfio II - Poemas de Marcelo H. Zacarelli

Foto: Sebastião Salgado

Epitáfio II

A velha campa escassa, úmida de pouca pintura,
guardava um segredo em seu útero sombrio.
Um epitáfio de poesia surrealista,
a alma de um poeta que ali jazia...
O duro inverno a congelava,
mais da alma e menos do corpo que não mais existia.

Paro em frente e testemunho um silêncio que é só meu,
absurdo mas propício para o dia.
Tento entender a minha subsistência,
o meu eu que ali se tornou esquecimento,
lágrimas não me trarão a sínica heresia.

Nem um sorriso sincero de uma boca desprovida,
quantos sóis e jardins verdes, Menos vida.
Tento me afastar daquilo que me restou,
da metamorfose que me é cabida;
Levo comigo o ódio que me tornou,
e o amor em epitáfio como poesia.


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Março de 2012 no dia 15

Foto: Sebastião Salgado


18 agosto 2013

Olhos Famintos - Poemas de Marcelo H. Zacarelli

Foto: Sebastião Salgado

Olhos Famintos

Preferes que te veja pela beleza real que ostentas,
ou que te devoras, meus olhos em sutil destreza;
Posso te possuir a carne, que lhe és servido sobre a mesa,
sem tocar-lhe à alma com infinita incerteza.

Em silente oportuno improvável dos meus lábios,
rasos, torturados, iminente detestável;
A insípida boca sente sede sufocável,
do teu beijo maleável, do teu calmo insuportável.

Esperas pelo golpe da ironia ofegante,
em reles oportunos disparates dos amantes;
As tuas suadas mãos lhe suplicam por amparo,
na espreita ardilosa e severa do teu faro.

Promíscuo de um verde estonteante, fictício,
castanho de um lodo contornado em precipício;
Porém a gula dos meus olhos é um aviso,
provável dos lábios, que faz da morte um improviso.


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 20

Foto: Sebastião Salgado


Epitáfio - Poemas de Marcelo H. Zacarelli

Foto: Sebastião Salgado

Epitáfio

Sombria e fria é a campa de dia,
que ufana da matéria que esconde;
Faz soar o Timbre horrendo do credo,
urdir contra a malícia tirana da morte.

Os corvos famintos rodeiam as urnas,
sobre o cimento gelado escorrem-se os lodos;
Era um moço de família muito rica,
e tudo quanto lhe havia constituído vira mofo.

Sobre custódia a gaveta ume preencheu,
e o sol embriagado sobre o átrio esmaeceu;
Houve-se uma silente de perjuros evasivos,
quando cai noite de nefasto improviso.

Ao pé da sepultura fenecem as rosas,
e a maldita cúpula da missa lhe tira a culpa;
Sobre um epitáfio um diabo vira santo,
ao exumar os ossos de um pobre miserável.



Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 21

Foto: Sebastião Salgado


03 agosto 2013

Danações Sexuais - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


Danações Sexuais

Flâmulas aquecem o meu peito
São pétalas aflitas agonizantes indefesas
Definham uma a uma sem precedentes
Um lugar ao sol quer desfilar suas cenas
A brasa da saudade que mesquinha...

Doravante o calor a compenetra
Nas raízes cruciais dos amantes
Outrora as vozes as consolam
E rangem abruptos os dentes...

Estas danações sexuais arrogantes
Profanas as virgens eloquentes
Em sedas vislumbrastes desprezíveis
O ato do pecado absorvendo;

Eis que passeio sobre a cinza quente
Esperneio sobre os ares dos anseios
Tenho alucinações com a morte
E morro todas as noites em meus aposentos;

Lúgubre são teus lábios surrados
Que emitem a sombra do encantamento
Extinguiram-se os meus sedentos
Ao pó dos escombros ao morrer de sede;

Desde então estimulas as minhas falhas
Que sórdidas relutam por instinto
Não são tuas as minhas tardes valhas
Nem por um segundo sequer o infinito.

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Setembro de 2012 no dia 20

Marcelo Zacarelli


28 julho 2013

A Revoada dos Corvos - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


A Revoada dos Corvos

Eles vieram em revoadas famintas por instinto
Supostamente enviadas por Adolf e Aleister
Devastaram os campos; O coração do homem...
Ceifaram as mentes dos subordinados
Vieram para a colheita do grande dia.

Eis que esbravejou uma voz; Uma ruptura nos céus
Espalhou-se a corja dos corvos
Sobre as cinzas a matilha escafedeu-se
Com árduas feridas acampadas na tua alma
A morte cura; Mas deixa a cicatriz da emboscada.


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Março de 2013 no dia 18

Marcelo Henrique Zacarelli

Marcelo Henrique Zacarelli (São Paulo, 28 de Agosto de 1969), é escritor e Poeta desde 1987, nasceu na cidade de São Paulo é casado com Gina Fernanda Villarim e pai de três filhos.