24 agosto 2013

Harakiri - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Harakiri

Minha alma insana inflama,
banhada a sangue de punhal, reclama...
Todos os meus instintos foram extintos,
meu orgulho ferido, banido.

É preciso cortar a carne para purificar a alma,
o cálice amargo da vergonha que me acompanha;
Todas elas embriagam as minhas entranhas,
o poema da minha morte em estrofes estranhas.

A minha face esconde o medo,
o temor da minha honra...
A reputação cortada ao fio da navalha,
minhas vestes alvas imaculadas.

Esvaíram de minhas veias pecaminosas,
todas as dores que não mais suportava;
Meu espírito agora clama por outra vida,
a carne que ficou por um ritual suicida.


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Fevereiro de 2013 no dia 17