14 setembro 2013

No Cio - Poemas de Marcelo H. Zacarelli


No Cio

De um lascivo quente improvável,
o contorno profundo dos teus lábios.
Qual lança o meu dedo detestável;
Vomita lavas teu poço insaciável,
submete a língua ao paladar do sol.

Em braille faço a leitura do teu corpo,
no epicentro vultoso do teu gozo;
A pira acesa do castanho dos teus olhos,
reduz a cinzas todo comportamento animal.

Porém não me darei por vencido,
eu, que me nutri no seio de uma delas...
Despojei da carne por soberba aptidão,
não tocarão na alma, nem cobra, nem escorpião.

Preparas-te pois o sangue é escarlate,
das entranhas vingativa dos teus dias;
Deturparão as vias obscuras dos meus nervos,
até que farta-se do nojo que possuis.

Até que o cio anuncie um novo dia,
comerás da carne da tua presa que rodeia.

Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, Agosto de 2013 no dia 30