05 julho 2014

Shogun - Minissérie


Shogun
James Clavell

Xógun - A Gloriosa Saga do Japão (título original: Shōgun) é um romance escrito em 1975 por James Clavell que se passa por volta de 1600 alguns meses antes da grande batalha de Sekigahara e que relata a ascensão do Daimyo "Toranaga" (uma analogia a Tokugawa Ieyasu) ao Shogunato, vista pelos olhos de um piloto Inglês o qual os atos heróicos lembram as façanhas de William Adams.

Chamberlain é John Blackthorne

John Blackthorne é um piloto inglês capitão do Erasmus, um navio holandês que naufragou na costa do Japão. Ele e poucos dos sobreviventes da embarcação holandesa foram capturados por ordem do samurai Omi-san que os manteve aprisionados por dias em um buraco. Com um padre Jesuíta fazendo o papel de tradutor, o piloto foi interrogado por Toranaga. Por ser protestante ele tentou fazer com que o Daimyo ficasse contra os Jesuítas, fazendo com que Toranaga se surpreendesse ao saber que o Cristianismo era dividido em duas partes nos países europeus. No meio de tudo isso, Toranaga (que é um dos regentes) é "obrigado" pelo conselho de regentes a cometer um ritual de suicídio forçado. Para escapar dessa ordem, ele deve escapar do Castelo de Osaka, o que é feito com Toranaga se disfarçando de mulher em uma liteira com uma caravana de viajantes saindo do castelo. Aos poucos Blackthorne vai melhorando sua fala japonesa e se adaptando aos japoneses e sua cultura, e muitas vezes aprendendo a respeitá-la. Os japoneses, por outro lado, se sentem cada vez mais incomodados com a presença de Blackthorne, mas ao mesmo tempo ele é de valor inestimável devido a seu conhecimento do mundo. O piloto então fica dividido entre sua afeição por Toda Mariko (que é casada com um poderoso samurai, Buntaro), sua crescente lealdade para com Toranaga, e seu desejo de voltar a navegar a bordo do Erasmus para capturar o Navio Negro. O enredo se divide em dois livros, é uma combinação perfeita de um drama histórico (marcado por romance, sexo, coragem, e religião) e um drama político.

James Clavell
James Clavell nascido Charles Edmund Dumaresq Clavell (Sydney, 10 de outubro de 1924 - Vevey, 7 de setembro de 1994), foi um autor e diretor de cinema britânico.
Clavell se dizia um inglês meio irlandês e americano, nascido na Austrália mas cidadão dos EUA e com residência ora na Califórnia, ora em Londres. Começou a escrever romances usando suas experiências como prisioneiro de guerra e se tornou precursor dos formatos novos dos Best-Sellers. Escreveu diversas obras sobre a cultura oriental entre elas Tai-Pan, Gai-Jin e Shogun. Esta última talvez seja a mais importante e assim a mais conhecida.

Chamberlain é "John Blackthorne"

Por mais de uma década, o novelista, roteirista e produtor James Clavell trabalhou neste projeto, que começou como romance e culminou em uma grandiosa minissérie com 12 horas de duração, estrelada pelo Rei das Minisséries, Richard Chamberlain, em 1980, na NBC. Exatamente por causa do tempo gasto no livro, Clavell preferiu passar adiante a tarefa de transpor sua obra para a TV. “Eu conheço muito bem a estória e fica muito difícil editar meu próprio trabalho.” Declarou o escritor na época. Após algumas tentativas frustradas, o trabalho chegou às mãos do experiente Eric Bercovici, que já havia transformado outros livros em filmes, entre eles Flesh and Blood, The Top of the Hill e Washington: Behind Closed Doors.

Com a missão de cortar metade do conteúdo presente no livro sem perder a essência dos personagens nem das cenas dramáticas, Bercovici chegou ao âmago de Shogun contando a estória pela perspectiva de Blackthorne, removendo as intrigas políticas que não envolvessem o personagem. Essa economia de tempo e dinheiro agradaram Clavell. Ele completou a equipe, contratando o diretor Jerry London (Guerra, Sombra e Água Fresca/Hogan’s Heroes) e um grupo-chave de técnicos americanos.

Chamberlain se prepara para gravar

Tudo estava pronto para a viagem ao Japão, mas para Chamberlain a questão era convencer James Clavell a lhe dar o papel. O novelista tinha em mente os britânicos Albert Finney e Sean Connery e não imaginava o Dr. Kildare interpretando Anjin. Os testes com Chamberlain, no entanto, o fizeram mudar de opinião. A conquista foi tanto uma realização pessoal quanto um desafio profissional, pois Chamberlain e Blackthorne ficavam constantemente cercados de pessoas que só falavam japonês. Essa sensação de abandono em meio ao desconhecido foi compartilhada pelo público, que ficava a mercê de Blackthorne para entender uma estória contada em um idioma completamente estranho. Chamberlain era o único americano em um elenco também composto por 15 europeus, 28 japoneses em papéis importantes, e milhares de extras locais. Embora a equipe técnica tivesse 30 americanos, a maior parte dos trabalhos era desempenhada por japoneses.

Toshiro Mifune na pele de "Yoshi Toranaga"

Com relação ao idioma, a Paramount inicialmente pretendia utilizar uma tradução simultânea sobre as vozes dos atores japoneses, mas Bercovici recusou a ideia, bem como a utilização de legenda, porque tais métodos comprometeriam o impacto dramático da trama.

Para interpretar Toranaga, foi contratado o ator internacionalmente conhecido, Toshiro Mifune, que viu no papel a missão de tornar Shogun um retrato autêntico de seus país e introduzir sua história e cultura às plateias do mundo. Com isso em mente, ele trocou muitas ideias com o diretor, Jerry London. O resultado seria a recriação precisa de uma época, talvez com poucas exceções. De acordo com a tradição, por exemplo, os samurais daquele tempo deveriam raspar a cabeça. Mas como a produção temia que Toranaga parecesse muito estranho ao público americano, ele manteve o cabelo.

Frankie Sakai Interpreta "Kasigi Yabu"

Produzir uma minissérie americana tão longe de casa, naquela época, provou ser um enorme desafio. De 4 de junho a 11 de dezembro de 1979, a equipe acostumada às facilidades de Hollywood lutou com as enormes barreiras idiomáticas e com uma indústria cinematográfica precária. O resultante choque de culturas fez a produção passar do orçamento, indo de 13 milhões para vinte. Além disso, frequentemente era difícil liberar áreas como cais, campos e castelos para as filmagens sem atrair o descontentamento de pescadores, fazendeiros e até da polícia. Após muito incômodo de ambas as partes, a produção fez uma contribuição de 25 mil dólares ao sindicato dos pescadores.

Yuki Meguro Interpreta "Omi-san"

A produção também atraiu a ira de moradores de um bairro residencial em Tóquio, durante as filmagens noturnas do desastre do Erasmo, navio de Blackthorne. O enorme cenário montado em um tanque no Toho Studios tornou-se alvo de diversas reclamações por causa do barulho provocado pelo mecanismo que simulava ventos, tempestades e ondas. Em uma tentativa de aplacar a ira dos moradores, Clavell e Mifune pediram desculpas e os convidaram a visitar o estúdio. Mas as queixas cessaram apenas quando Clavell os presenteou com garrafas de saquê. A natureza também contribuiu com tufões, desmoronamentos e muita chuva.

Hideo Takamatsu é "Buntaro"

E como vencer a barreira do idioma? Com intérpretes, claro. Mas a velocidade desta troca de informações não satisfazia a equipe americana, que com frequência também se aborrecia com o curioso hábito dos japoneses de realizar conferências para debater as instruções inesperadas. Filmar nestas condições tornou-se difícil, particularmente em cenas navais. Durante uma sequência envolvendo diversas embarcações no largo de Nagashima, por exemplo, a transmissão de instruções através de walkie-talkies transformou a cena em uma comédia pastelão, com barcos virando e colidindo uns nos outros.

Yoko Shimada viveu "Toda Mariko-san"

Talvez o maior problema enfrentado em Shogun foi encontrar a atriz para interpretar Mariko. A busca por uma atriz japonesa jovem e bonita que falasse inglês estendeu-se por semanas durante as filmagens, e quase provocou uma parada na produção, até que Yoko Shimada apareceu. Embora seu inglês não fosse fluente, ela foi capaz de melhorar seu desempenho com a ajuda de um professor e conseguiu transmitir a noção de subserviência feudal e da força samurai, ao mesmo tempo em que mostrou o fascínio oriental necessário para seduzir Blackthorne.

Elenco ensaia Gravação

Apesar dos muitos obstáculos, London concluiu as filmagens em seis meses, três dias antes do esperado, voltando para casa com 125 horas de material filmado. Então, Maurice Jarre ficou com a tarefa de compor a trilha, enquanto Orson Welles fez a narração. Todo o esforço foi recompensado com o enorme sucesso alcançado pela minissérie nos Estados Unidos. As pesquisas indicaram 42% de audiência em Nova Iorque e 70% em São Francisco, sendo igualmente bem-sucedida na Europa. Conquistou diversos prêmios Emmy, Golden Globe e People’s Choice, entre outros. Ela só enfrentou o gosto do fracasso em sua versão compacta destinada ao cinema.

Mariko e Blackthorne em "Shogun"

Shogun foi uma produção gigantesca. Assim como E o Vento Levou/Gone with the Wind, filme com o qual foi comparado, Shogun absorveu mais tempo, dinheiro e esforço do que qualquer outro filme já criado até a época.”