10 abril 2015

Alma de Cavalo - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Alma de Cavalo

Ele tinha a alma de cavalo
E o coração maior que do que todo este mundo
Era bruto como um diamante a ser lapidado
Mas brilhava mais que uma estrela na madrugada.

Ele escondia por trás de seus olhos
Todos os sonhos de quando ainda menino
Ele cresceu quase que sem carinho
E tudo que almejava era amor em forma de canto de passarinho.

Incompreendido era a sua maneira de amar
Ele via o amor onde jamais poderíamos imaginar
A vida havia-lhe sido severa desde a sua infância
Quando se tornou homem e exorcizou os seus próprios fantasmas.

Confesso que não poderia lhe negar a minha admiração
E hoje a saudade galopa na frente dos meus pensamentos
Eu queria que o tempo pudesse parar por um momento
E lhe trouxesse de volta para te dar um abraço.

Queria remanejar uma cavalaria nesta tua volta
Preparar-te uma tapioca, e também cuscuz do jeito que você gosta
Queria parar o cortejo desta estupida partida
Desmontar o roteiro mais triste desta nossa despedida.

Saiba que onde você estiver
Os pássaros farão um concerto em sua homenagem
Em cada peito de um cavalo baterá o seu coração
Por que a tua alma ainda vive e é forte
Só não é mais forte do que a saudade que sinto
Nem mais forte do que a maldita solidão.

Homenagem a Cicero Alves Feitosa
O nosso querido "Tio-Tio"

Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, 27 de Fevereiro de 2015
(Pinheiros)

Incompreendido era a sua maneira de amar
Ele via o amor onde jamais poderíamos imaginar