09 julho 2016

Fiódor Dostoiévski - Personalidades

O Aclamado Escritor Russo, Fiódor Dostoiévski

Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (Moscovo, 30 de outubro - 9 de fevereiro de 1881) – Ocasionalmente grafado como Dostoievsky – foi um escritor e filósofo russo, considerado um dos maiores romancistas da história e um dos mais inovadores artistas de todos os tempos. É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por "Notas do Subterrâneo", descrito por Walter Kaufmann como a "melhor proposta para existencialismo já escrita". A obra dostoievskiana explora a autodestruição, a humilhação e o assassinato, além de analisar estados patológicos que levam ao suicídio, à loucura e ao homicídio: seus escritos são chamados por isso de "romances de ideias", pela retratação filosófica e atemporal dessas situações. O modernismo literário e várias escolas da teologia e psicologia foram influenciados por suas ideias.

Dostoiévski logrou atingir certo sucesso com seu primeiro romance, "Gente Pobre", que foi imediatamente muito elogiado pelo poeta Nikolai Nekrássov e por um dos mais importantes críticos da primeira metade do século XIX, Vissarion Belínski. Porém, o escritor não conseguiu repetir o sucesso até o retorno à Sibéria, quando escreveu o semibiográfico "Recordações da Casa dos Mortos", sobre a prisão que sofrera. Posteriormente sua fama aumentaria, principalmente graças a "Crime e Castigo".

Seu último romance, "Os Irmãos Karamazov", foi considerado por Sigmund Freud como o melhor romance já escrito. Perigoso, segundo Josef Stálin, até 1953 o currículo soviético para estudos universitários sobre o escritor o classificava como "expressão da ideologia reacionária burguesa individualista". Segundo ele mesmo, seu mal era uma doença chamada consciência. A obra de Dostoiévski exerce uma grande influência no romance moderno, legando a ele um estilo caótico, desordenado e que apresenta uma realidade alucinada.

Túmulo Dostoiévski
no monastério Alexander Nevsky

A partir de 1873 publicou em jornal Diário de um Escritor, que escreveu sozinho, compilando histórias curtas, artigos políticos e críticas literárias, obtendo grande sucesso. Em 1875, publicou "O Adolescente", na prestigiada revista "Os Anais da Pátria". O romance foca em um tema que sempre tinha preocupado o escritor: as famílias acidentais. Esta publicação seria interrompida em 1878 para dar início à elaboração do seu último romance, "Os Irmãos Karamazov", que foi publicado em grande parte no jornal russo "O Mensageiro".

Em 1880, participou da inauguração do monumento a Aleksandr Pushkin em Moscou, onde proferiu um discurso memorável sobre o destino da Rússia no mundo. Em 8 de novembro desse ano, termina "Os Irmãos Karamazov", em São Petersburgo. Morreu nesta cidade, em 9 de fevereiro de 1881, de uma hemorragia pulmonar associada com enfisema e ataque epiléptico. Foi enterrado no Cemitério Tikhvin, dentro do monastério Alexander Nevsky em São Petersburgo. Estima-se que o funeral foi assistido por cerca de sessenta mil pessoas. Em sua lápide podem-se ler os seguintes versos de São João, que também serviu como subtítulo de seu último romance, "Os Irmãos Karamazov":

“Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.”

Monumento a Dostoiévski em Dresden

Albert Einstein escreveu: "Dostoiévski oferece-me mais que qualquer outro pensador, mais que Gauss"; e o escritor russo Aleksei Rémizov, durante exílio em Paris, em 1927, escreveu: "A Rússia é Dostoiévski. A Rússia não existe sem Dostoiévski." A maioria dos críticos concorda que Dostoiévski, Dante Alighieri, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Johann Wolfgang von Goethe, Luís de Camões, Victor Hugo e outros poucos escolhidos tiveram uma influência decisiva sobre a literatura do século XX, especialmente no existencialismo e expressionismo.

A influência de Dostoiévski é imensa, de Hermann Hesse a Marcel Proust, William Faulkner, Albert Camus, Franz Kafka, Yukio Mishima, Roberto Arlt, Ernesto Sábato e Gabriel García Márquez, para citar alguns autores. Na verdade, nenhum dos grandes escritores do século XX foram alheios ao seu trabalho (com algumas raras exceções, tais como Vladimir Nabokov, Henry James ou D.H. Lawrence). O romancista americano Ernest Hemingway também citou Dostoiévski em uma de suas últimas entrevistas como uma das suas principais influências.

Nietzsche referiu-se a Dostoiévski como "o único psicólogo com que tenho algo a aprender: ele pertence às inesperadas felicidades da minha vida, até mesmo a descoberta Stendhal." Certa vez disse, referindo a "Notas do Subsolo": "chorei verdade a partir do sangue". Nietzsche refere-se constantemente a Dostoiévski em suas notas e rascunhos no internato entre 1886 e 1887, além de escrever diversos resumos das obras de Dostoiévski. "Um grande catalisador: Nietzsche e neo-idealismo russo", disse Mihajlo Mihajlov.

Com a publicação de "Crime e Castigo" em 1866, Fiódor se tornou um dos mais proeminentes autores da Rússia no século XIX, tido como um dos precursores do movimento filosófico conhecido como existencialismo. Em particular, "Memórias do Subsolo", publicado pela primeira vez em 1864, tem sido descrito como o trabalho fundador do existencialismo. Para Dostoiévski, a guerra é a revolta do povo contra a ideia de que a razão orienta tudo.