09 julho 2016

Franz Kafka - Personalidades

O Escritor Checo, Franz Kafka

Franz Kafka (Praga, 3 de julho de 1883 — Klosterneuburg, 3 de junho de 1924) foi um escritor checo, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX. A maior parte de sua obra, como "A Metamorfose", "O Processo" e "O Castelo", está repleta de temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, conflito entre pais e filhos, personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas.

Kafka nasceu em uma família judaica de classe média e falante de alemão em Praga, então pertencente ao Império Austro-Húngaro. Durante sua vida, a maior parte da população de Praga falava tcheco e a divisão entre os falantes de tcheco e alemão era visível, já que ambos os grupos estavam tentando fortalecer sua identidade nacional. A comunidade judaica muitas vezes achou-se dividida entre esses dois grupos, levantando, naturalmente, questões sobre a origem de uma pessoa. O próprio Kafka era fluente nas duas línguas, considerando o alemão sua língua materna.

Kafka em 1888, aos 5 anos

Kafka formou-se em direito e, depois de completar sua educação, conseguiu um emprego em uma companhia de seguros. Começou a escrever contos no seu tempo livre. Pelo resto de sua vida, reclamou do pouco tempo que tinha para dedicar-se ao que chegaria a chamar de “seu chamado”. Arrependeu-se de ter tido que dedicar tanto tempo ao seu “ganha pão”. Kafka preferia comunicar-se através de cartas; escreveu centenas de cartas para sua família e amigas próximas, incluindo seu pai, sua noiva Felice Bauer e sua irmã mais nova, Ottla Kafka. Tinha uma relação complicada e turbulenta com seu pai, o que teve uma grande influência sobre sua escrita. Também sofreu por ser judeu, sentindo que essa era uma característica que tinha pouco a ver consigo, apesar de críticos afirmarem que isso influenciou sua escrita.

Apenas algumas das obras de Kafka foram publicadas durante sua vida: as coleções de contos "Considerações e Um Médico Rural", e contos como: "A Metamorfose", em revistas literárias. Preparou a coleção "Um Artista da Fome" para impressão, mas só foi publicada postumamente. Os trabalhos inacabados de Kafka, como os romances O Processo, O Castelo e O Desaparecido, foram publicados postumamente pelo seu amigo Max Brod, que ignorou o desejo de Kafka de ter seus manuscritos destruídos. Albert Camus, Gabriel García Márquez e Jean-Paul Sartre estão entre os escritores influenciados pela obra de Kafka; o termo "kafkiano" popularizou-se em português como algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações encontradas em sua obra.

Franz Kafka,
gravura de Jan Hladík, de 1978

Pérez-Álverez sustentou que Kafka provavelmente tinha transtorno de personalidade esquizoide. Seu estilo, ele afirma, não somente em "A Metamorfose", mas em várias de suas obras, aparentemente mostra características esquizoides de nível baixo a médio, o que explica muito da sua obra surpreendente. Sua agonia pode ser vista nessa entrada no seu diário de 21 de junho de 1913:

"O gigante mundo que tenho em minha cabeça. Mas como me libertar e libertá-los sem rasgos. E uma centena de vezes rasgam-se em mim para então serem segurados ou enterrados. Por isso estou aqui, isso está bastante claro para mim".

E no Zürau Aphorism de número 50:

"O homem não pode viver sem uma confiança permanente de algo indestrutível em si mesmo, apesar de tanto essa coisa indestrutível como a sua própria confiança nisso poderem permanecer escondidas dele".

Túmulo da família Kafka,
no Novo Cemitério Judeu, em Praga
Morte:

A tuberculose laríngea de Kafka piorou e em março de 1924 ele voltou de Berlim a Praga, onde familiares, principalmente sua irmã Ottla, tomaram conta dele. Ele foi para o sanatório do Dr. Hoffmann, em Klosterneuburg, perto de Viena, em 10 de abril e morreu lá em 3 de junho de 1924. A causa da sua morte aparentemente foi fome: a condição da garganta de Kafka fez com que comer tornasse-se uma atividade muito dolorosa para ele, e já que a nutrição parenteral ainda não tinha sido desenvolvida, não houve meios de alimentá-lo. Kafka estava editando "Um Artista da Fome" no seu leito de morte, um conto cuja composição tinha sido iniciada antes da sua garganta se fechar ao ponto dele não mais poder se alimentar. Seu corpo foi trazido de volta a Praga, onde foi sepultado em 11 de junho de 1924, no Novo Cemitério Judeu, em Žižkov. Kafka foi desconhecido em vida, mas ele não considerava a fama algo importante. Tornou-se famoso logo após sua morte.