20 agosto 2013

Moribundo - Poema de Marcelo H. Zacarelli

Foto: Sebastião Salgado

Moribundo

Eu, um moribundo vagabundo na vala a apodrecer
Nefasto, meditabundo, a esfalfar-se no entardecer
Eu nesta frialdade da alma em um outono ufano
Escapelo a vaidade de um dia profano.

Eu, em largas passadas vejo o sol a escurecer
Intrépido, estarrecido, hipocondríaco ser
Ostento por um momento um pensamento insano
O de que posso morrer ou viver por engano.

E faz-se medrar na haste a minha dor
Em delírio e febre o ardente sangue
O tecido do meu corpo em estupor.

Do vaso raso, estiolado pulso cortado
Faz vazar a vida de um pobre eloquente
Um moribundo salvo, farto e desgraçado. 

“Soneto”


Marcelo Henrique Zacarelli
Village, Agosto de 2012 no dia 07

Foto: Sebastião Salgado