11 janeiro 2014

A Morte das Brasas - Poema de Marcelo H. Zacarelli


A Morte das Brasas

Sabes que olhando pra você
E vê-la assim se apagando, morrendo lentamente
Porém, tens uma sorte danada
Não tenho aonde espreguiçar o meu corpo;
Adjuntos, umas às outras, fiéis ao fogo das paixões
Consomem a si mesmas, até as cinzas da morte

Eu, porém, afoito comigo mesmo
Afronto meu colo sem dar calor
Não que não haja em mim a luz interior
Pois quem de mim se apossa, haja amor...

Sento a um pedaço de carvalho roliço
Fico a observar o fim de todas elas
Ardem-se febris, parecem não sentir
A proximidade da sua inexistência
Mas parecem felizes!

Que posso eu oferecê-las de bate pronto
Estou munido de um vazio enorme 
Maior que o infinito...
Não há nada que eu possa fazer
A não ser esperar pelo golpe fatal da casualidade

E olha só quem aí está?
O crepúsculo chorando os seus orvalhos
Atingiu em cheio o coração das brasas
Daqui donde estou deu para sentir
A dor logo subiu esfumaçando

Mais ainda bem que sofreram morte rápida
Sobressaíram-se bem sobre as dores;
E quanto a mim cabisbaixo
Sentado sobre o carvalho roliço
A morte até que tentou...
Não se pode matar um coração
Cuja brasa já fora apagada

Mas ainda estou vivo
E fito o olhar incrédulo sobre todas elas
Porém, impossível não reconhecer
Adormecem nuas, semiapagadas
Tiveram estas uma sorte danada.

Marcelo Henrique Zacarelli
São Paulo, 10 de Janeiro de 2014

Não há nada que eu possa fazer
A não ser esperar pelo golpe fatal da casualidade...