08 julho 2014

Bocas que se Calam - Poema de Marcelo H. Zacarelli


Bocas que se Calam

O vento passa com suas mãos sorrateiras
Apalpando tudo que vê pela frente
As árvores derrubarão suas bocas
Uma a uma, famintas...

Contorcidas e molhadas
Estremecidas, procuram umas as outras
Sedentas por um bocado
Do orvalho das salivas;

Matam a sede
Simultaneamente
Até que o vento as separem
Arrogantes quase louca...

Até que as árvores produzam outras bocas
A saudade subsistirá 
Transpassando os corações,
Bocas que se encontram
Estranhas nas entranhas;
Bocas que se calam
Pela dor da solidão.

Marcelo Henrique Zacarelli
Village, 08 de Julho de 2014

Sedentas por um bocado
Do orvalho das salivas...