26 setembro 2016

O Vermelho e o Negro - Meus Livros

Romance Publicado em 1830

O Vermelho e o Negro
Stendhal

Le Rouge et le Noir (O Vermelho e o Negro, em francês), é um romance histórico psicológico em dois volumes do escritor francês Stendhal, publicado em 1830. Costuma ser citado como o primeiro romance realista, embora imbuído de uma sensibilidade romântica e, diferindo da literatura realista em geral (em especial Balzac) seja econômico nas descrições de ambientes físicos e pessoas, preferindo se aprofundar em seus processos psicológicos, levando ao extremo o foco do narrador onisciente. A ação transcorre na França no tempo da Restauração antes da Revolução de 1830, supostamente entre 1826 e 1830, e trata das tentativas de um jovem de subir na vida, apesar do seu nascimento plebeu, através de uma combinação de talento, trabalho duro, engano e hipocrisia, apenas para encontrar-se traído por suas próprias paixões. Em ensaio de 1954, Somerset Maugham incluiu-o entre os dez maiores romances de todos os tempos.

O nome da obra é motivo para controvérsias. Discute-se muito a que Stendhal se referia com o "vermelho" e o "negro". Muitos atribuem o negro a cor da batina do herói e o vermelho ao sangue lavado, mas há outras interpretações que também podem ser citadas como a razão para o nome. O que reforça a dúvida é que em certas ocasiões, conclamam que o nome "O Vermelho e o Negro", vem do vermelho da antiga farda vermelha (que depois tornou-se azul-claro) dos franceses e o negro da batina dos padres, demonstrando a principal dúvida de Julien Sorel: "revelar-se nobre e ter ascensão rápida e garantida na hierarquia religiosa, ou continuar mundano sob as mesmas circunstâncias na vida militar". Essa é uma interpretação para a aceitação de um jovem de origem humilde nos meios sociais de maior vulto e influência.

Em um artigo não publicado, sob um pseudônimo, Stendhal comenta sobre um livro e declara, ele mesmo, como "um livro que pela primeira vez até agora teve a ousadia de tratar dos sentimentos franceses" e também "o único livro que tem duas heroínas, Senhora de Rênal e Mathilde".

Ilustração de Henri Dubouchet...

O título original era simplesmente "Julien", mas depois Stendhal substituiu-o por Le Rouge et le Noir (O Vermelho e o Negro), que parece ser um título enigmático, sobre o qual Stendhal nunca deu uma explicação. Existem por isso várias interpretações. A mais comum é que o vermelho simboliza o exército e o negro o clero. Assim, durante todo o romance, o protagonista hesita entre o exército, e a sua paixão por Napoleão, e o clero, que lhe permitiu concluir os estudos e, por conseguinte, favoreceu a ascensão social. 

A ideia vem do jornalista Emile Fargues, justificando que "o vermelho significa que, no início, Julien, o herói do livro, tinha sido soldado; mas na época em que vivia, ele foi forçado a usar a batina". Mas alguns contrapõem que, em 1830, o uniforme do exército francês era azul, não vermelho. E além disso, o romance em si também nos dá traços: é a cor branca que Julien associa ao exército, pois se lembra de ter visto na sua infância "um certo cavaleiro do 6º, com uma longa capa branca."

Outros fazem alusão à roleta, comparando o destino a um jogo de azar: pode cair no vermelho ou preto; alguns também acreditam nas cores da guilhotina, no vermelho da paixão e no negro da morte, à tensão entre Marte e Saturno. Mas deve-se notar que Stendhal tende a dar aos seus romances títulos com nomes de cores, tais como O Vermelho e o Negro, A Rosa e o Verde, Lucien Leuwen (O Vermelho e o Branco).


Para Nietzsche, Stendhal é o último dos grandes psicólogos franceses. Stendhal, um dos mais belos "perigos" da minha vida - porque tudo o que perdurou em mim me foi dado em aventura e não por recomendação, - Stendhal tem méritos inestimáveis "a dupla visão psicológica,"um sentido do fato que recorda a proximidade dos maiores dos realistas ("ex ungue Napaleonem" "pela mandíbula (se reconhece) Napoleão"), enfim, e esta não é a menor das suas glórias, um sincero ateísmo que só raramente se encontra em França, para não dizer quase nunca (...) Talvez eu tenha mesmo inveja de Stendhal. Ele roubou-me a melhor expressão que o meu ateísmo pudesse ter encontrado: "a única desculpa de Deus é a de não existir." 

Em "O Vermelho e o Negro", Julien Sorel é objecto de um estudo profundo. Ambição, amor, passado, tudo é analisado. O leitor segue com interesse crescente os meandros de seu pensamento, que condiciona as suas ações. Mathilde de la Mole e Madame de Rênal não são esquecidas. As suas respectivas paixões por Julien, iguais uma à outra, são colocadas em perspectiva. Todo o mundo é colocado a nu sob a pluma de Stendhal..

O Francês Stendhal

Henri-Marie Beyle, mais conhecido como Stendhal (Grenoble, 23 de janeiro de 1783 — Paris, 23 de março de 1842) foi um escritor francês reputado pela fineza na análise dos sentimentos de seus personagens e por seu estilo deliberadamente seco. 

Em 1830 aparece sua primeira obra-prima: "O Vermelho e o Negro", uma crônica analítica da sociedade francesa na época da Restauração, na qual Stendhal representou as ambições da sua época e as contradições da emergente sociedade de classes, destacando sobretudo a análise psicológica das personagens e o estilo direto e objetivo da narração. Em 1839 publicou "A Cartuxa de Parma", muito mais novelesca do que a sua obra anterior, que escreveu em apenas dois meses e que por sua espontaneidade constitui uma confissão poética extraordinariamente sincera, ainda que só tivesse recebido o elogio de Honoré de Balzac.

Outra importante obra de Stendhal é "Napoleão", na qual o escritor narra momentos importantes da vida do grande general Bonaparte. Como o próprio Stendhal descreve no início deste livro, havia na época (1837) uma carência de registos referentes ao período da carreira militar de Napoleão, sobretudo a sua atuação nas várias batalhas na Itália. Dessa forma, e também porque Stendhal era um admirador incondicional do corso, a obra prioriza a emergência de Bonaparte no cenário militar, entre os anos de 1796 e 1797 nas batalhas italianas. Declarou, certa vez, que não considerava morrer na rua algo indigno e, curiosamente, faleceu de um ataque de apoplexia, na rua, sem concluir a sua última obra, Lamiel, que foi publicada muito depois da sua morte. O reconhecimento da obra de Stendhal, como ele mesmo previu, só se iniciou cerca de cinquenta anos após sua morte, ocorrida em 1842, na cidade de Paris.